sábado, 14 de setembro de 2013

Soneto de Um Amor Maior

T.J.
 
Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá  risada
 
E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração. e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal aventurada
 
Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer - e vive a esmo
 
Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo
 
 
Vinicios de Morais

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Que te vaya bonito...


T.J.
 
"Um dia quebrarei todas as pontes,
Que ligam o meu ser, vivo e total
A agitação do mundo do irreal,
E calma subirei até às fontes.
 
Irei até às fontes onde mora
A plenitude, o intimo esplendor
Que nos foi prometido em cada hora,
E na face incompleta do amor.
 
Irei beber a luz e o amanhecer,
Irei beber a voz dessa promessa
Que às vezes como um voo me atravessa
E nela cumprirei o meu ser."
 
 
Sophia de Mello Breyner Andresen

sábado, 20 de julho de 2013

T.J.
 
Se me deixares, eu digo
O contrário a toda a gente;
E, neste mundo de enganos,
Fala verdade quem mente.
Tu dizes que a minha boca,
Já não merece os teus beijos;
Mas, tem cuidado comigo:
Se  me deixares, eu digo
O contrário a toda a gente
 
 
 
António Botto.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Sunshine...


Fulgor

T.J.
 

Tateio à minha
Volta
E é só fulgor
Tento deslumbrar
O sol que cega
Demoro-me demasiado
No calor

Para a minha sede
Nenhuma agua chega.

Maria Teresa Horta

sexta-feira, 12 de julho de 2013

I'm glad....


Tu

T.J.
 
...Me bebes
E eu me converto
Na tua sede.
Meus lábios mordem,
Meus dentes beijam,
Minha pele te veste
E tu ficas ainda
Mais despida.
 
Pudesse eu ser tu
E em tua saudade ser
A minha própria espera
Mas eu deito-me
No teu leito quando apenas
Queria dormir em ti,
E sonho-te quando
Ansiava ser
Um sonho teu.
 
E levito, voo de semente,
Para em mim mesmo te plantar
Menos que flor:
Simples perfume, lembrança
De pétalas sem chão
Onde tombar.
 
Teus olhos inundando os meus
E a minha vida, já sem leito,
Vai galgando margens
Até tudo ser mar.
 
Esse mar que só´há
Depois do mar.
 
 
Mia Couto.


segunda-feira, 8 de julho de 2013

domingo, 7 de julho de 2013

A Voz

T.J.
Da tua voz
O corpo
O tempo já vencido
Os dedos que me
Vogam
Nos cabelos
E os lábios que me
Roçam pela boca
Nesta mansa tortura
Em nunca tê-los...
 
Meu amor
Que quartos na memória
Não ocupamos nós
Se não partimos...
Mas porque assim te invento
E já te troco as horas
Vou passando dos teus braços
Que não sei
Para o vácuo em que me deixas
Se demoras
Nesta mansa certeza que não vens.
 
Maria Teresa Horta
 


sexta-feira, 5 de julho de 2013

Não, Não é Cansaço

T.J.
 

Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar.

É um domingo às avessas
Do sentimento
Um feriado passado no abismo.

Não, Cansaço não é...
É um estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Com tudo aquilo que nele se desdobra.
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Não. Cansaço porquê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta-
Qualquer coisa com um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angustia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...

Como quê?
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.
(Ai cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola de outro, e a voz dela!)
Porque oiço, vejo.

Confesso: é cansaço!...

Alvaro de Campos.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Identidade

T.J.
 
Preciso ser um outro
para ser eu mesmo
 
Sou grão de rocha
sou o vento que a desgasta
 
Sou pólen sem insecto
Sou areia sustentando
o sexo das arvores
 
Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro
 
No mundo que combato morro
No mundo por que luto nasço
 
 
Mia Couto (Raiz de Orvalho e Outros Poemas) 
 


quarta-feira, 19 de junho de 2013

T.J.
 
Diz o meu nome
pronuncia-o
como se as silabas te queimassem os lábios
Sopra-o com suavidade
para que o escuro apeteça
para que se desatem os teus cabelos
para que conheça
 
Porque eu cresço para ti
Sou eu dentro de ti
que bebe a ultima gota
e te conduzo a um lugar
sem tempo nem contorno
 
Mia Couto

quarta-feira, 5 de junho de 2013

domingo, 2 de junho de 2013

Ouvindo...


T.J.
 
Foi para ti
que desfolhei a chuva
Para ti soltei o perfume da terra
Toquei no nada
e para ti foi tudo.
 
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre.
 
Para ti dei voz
´as minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nos
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e nao dormíamos.
Eu  descia em teu peito
para  me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um so
amando de uma so vida
 
Mia Couto (Raiz de Orvalho e Outros Poemas)
 


sábado, 25 de maio de 2013

video

Fui Sabendo de Mim


Fui sabendo de mim
Por  aquilo que perdia

Pedaços que saíram de mim
Com o mistério de serem poucos
E valerem só quando os perdi

Fui ficando
Por umbrais
Aquém do passo
Que nunca ousei

Eu vi
A arvore morta
E soube que mentia


Mia Couto (Raiz de Orvalho e outros Poemas)

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Ouvindo....


Pergunta-me

 
 
T.J.
 
Pergunta-me
Se ainda és o meu fogo
Se acendes ainda
O minuto de cinza
Se despertas
A ave magoada
Que se queda
Na arvore do meu sangue.
 
Pergunta-me
Se o vento não traz nada
Se o vento tudo arrasta
Se na quietude do lago
Repousaram, a fúria
 o tropel de mil cavalos
 
Pergunta-me
Se te voltei a encontrar
De todas as vezes que me detive
Junt6 das pontes enevoadas
E se eras tu
Quem eu via
Na infinita dispersão do meu ser
 
Se eras tu
Que reunias pedaços do meu poema
Reconstruindo
A folha rasgada
Na minha mão descrente.
Qualquer coisa
 
Pergunta-me qualquer coisa
Uma tolice
Um mistério indecifrável
Simplesmente
Para que eu saiba
Que queres ainda saber
Para que mesmo sem te responder
Saibas o que te quero dizer.

Mia Couto (Raiz do Orvalho e outro poemas)


quinta-feira, 23 de maio de 2013

Ma solitude ... adieu


Morrer de Amor



Morrer de Amor
o pé da tua boca

Desfalecer
À pele
Do sorriso

Sufocar
De prazer
Com o teu corpo

Trocar tudo por ti
Se for preciso

Maria Teresa Horta.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Ouvindo...


Armadilhado

 
 
T.J.
 
Quero a paixão ardente
e árdua.Incendiando o corpo.
Com o seu sobressalto alado.
 
A vergasta cruel
que a sedução conduz
até ao desejo armadilhado
 
Maria Teresa Horta.


domingo, 12 de maio de 2013

O Amor


T.J.
 
Estou a amar-te como o frio
Corta os lábios
A arrancar a raíz
Ao mais diminuto dos rios.
 
A inundar-te de facas,
De saliva esperma lume,
Estou a rodear de agulhas
A boca mais vulnerável
A marcar sobre os teus flancos
O itinerário da espuma
 
Assim é o amor:
Mortal e navegável.
 
 
Eugénio de Andrade (Obscuro Domínio)

sábado, 11 de maio de 2013

De Um Amor Morto

 
 
T.J.
 
De um amor morto fica
Um pesado tempo quotidiano
Onde os gestos se esbarram
Ao longo do ano
 
De um amor morto não fica
Nenhuma memória
O passado se rende
O presente o devora
E os navios do tempo
Agudos e lentos
O levam embora
 
Pois um amor morto não deixa
Em nós seu retrato
De infinita demora
É apenas um facto
Que a eternidade ignora
 
 
Sophia de Mello Breyner (in Geografia)


sexta-feira, 3 de maio de 2013


T.J.
 
Espero sempre por ti o dia inteiro,
Quando na praia sobe, de cinza e oiro
O nevoeiro
E há em todas  as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda.
 
Sophia de Mello Breyner




domingo, 28 de abril de 2013


Se sou amado,
Quanto mais amado
Mais correspondo ao amor...

Se sou esquecido,
Devo esquecer tambem,
Pois amor é feito espelho
-Tem que ter reflexo...

Pablo Neruda.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

O Que Me Doi Não é...

T.J.
 
O que me doi não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão
 
São formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou as sonhar o amor
 
São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma,
Caíssem suas folhas
Entre o vestígio e a bruma.
 
Fernando Pessoa (Cancioneiro)

terça-feira, 23 de abril de 2013

sexta-feira, 19 de abril de 2013

VIDA

 
 
T.J.
 
Meu coração quebrou.
Era um cedro perfeito;
Mas o vento da vida levantou,
E aquele prumo do ceu caíu direito.
 
Nos bons tempos felizes
Em que ele batia erguido,
Desde a rama às raízes
Era seiva e sentido
 
Agora jaz no chão.
Palpita ainda, e tem
Vida de coração...
Mas não ama ninguém.
 
Miguel Torga (Diário 1942)..



terça-feira, 16 de abril de 2013

sábado, 13 de abril de 2013

Palavras Interditas

 
T.J.
 
.../...
 
As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.
 
Doi-me esta àgua, este ar que se respira,
doi-me esta solidão de pedra escura,
estas mãos nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.
 
E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.
 
Eugénio de Andrade (Poesia e Prosa)


sexta-feira, 5 de abril de 2013

Desfado.

Quer o destino que eu não creia no destino.
E o meu fado é não ter fado nenhum.
Cantá-lo bem sem sequer o ter sentido.
Senti-lo como ninguem, mas não ter sentido algum

Ai que tristeza, esta minha alegria.
Ai que alegria, esta tão grande tristeza.
Esperar que um dia eu não espere mais um dia
Por aquele que nunca vem e que aqui esteve presente.

Ai que saudade
Que eu tenho de ter saudade.
Saudade de ter alguem
Que aqui está e não existe.
Sentir-me triste
Só por me sentir tão bem
E alegre sentir-me bem
Só por eu andar tão triste.

Ai se eu pudesse não cantar "ai se eu pudesse"
E lamentar não ter mais nenhum lamento.
Talvez ouvisse o silencio que fizesse
Uma voz que fosse minha cantar alguem cá dentro.

Ai que desgraça esta sorte que me assiste.
Ai mas que sorte eu viver tão desgraçada.
Na incerteza que nada mais certo existe
Alem da grande incerteza de não estar certa de nada.


(Pedro da Silva Martins)

Chega!

Chega de ficar quebrando a cara com os velhos erros de sempre.
 Quero cometer erros novos.
 Passar por apertos diferentes.
 Experimentar situações desconhecidas; sair da rotina e do lugar comum.
 Esse ano eu preciso crescer; chega de saber a saída e ficar parado na porta; ensaiando os passos sem nunca entrar na estrada; esperando que me venha o que eu mais preciso encontrar.
Esse ano,se eu tiver que sofrer, será por sofrimentos reais e nunca mais por males imaginários preocupado com coisas que jamais acontecerão.
Chega de planejar o futuro e tropeçar no presente; chega  de pensar demais e fazer de menos
Chega de pensar de um geito e fazer de outro.
Chega do corpo dizer sim e a cabeça não; chega desses intermináveis conflitos que me fazem adiar para nunca a minha decisão.

Vinicíos de Moraes


.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Amor Fortuito

 
T.J.
 
Seduziu. E levou
naquele olhar
tudo o que neste coube
sem ter sido gozado.
 
Que súbita presença
de casual encontro
com gestos de silencio
e quietude de assomo.
 
E depois? Um tumulto,
nada mais assumido:
o tremor esvaido
que não teve percurso.
 
 
António Salvado (Essa Estória)

quinta-feira, 28 de março de 2013

Aperto

 
 
T.J.
 

A tua mão estendida,
gesto impensado de ternura súbita
foi a primeira estrela no crepúsculo
de mais um dia igual a outros idos,
como leito de rio abandonado
enchendo-se a fluir,
como folhas do chão
à árvore tornadas,
como neve sedosa a encobrir
sulcos de pranto.
 
Vagabundo cedi: terei perdido
o dom da sedução que o sonho entrega
quando um  meandro após outro meandro
talham difícil
transformar em certeza uma promessa.
 
Acolhendo, velada, nos meus dedos
a tremerem
a tua mão estendida
agradecido  aperto.
 
 
António Salvado (Essa  Estória)

Incautamente

T.J
 
 És como a onda limpa que realça
a beleza recôndita da água
o vento brando solto da montanha
que me refresca a febre dos instantes,
a luz das nuvens pelo céu dispersas
que  desce até às marcas das pegadas
deixadas no caminho que atravesso
incautamente sem pensar em nada.
 
Continuo a reter-te no meu peito,
a debruçar em ti o meu poema,
e por entre neblinas e poeiras
o perfil do teu rosto reacende.
 
 
António Salvado (Essa Estória)


sexta-feira, 22 de março de 2013

Ouvindo...


Il Pleure dans mon Coeur


Il pleure dans mon coeur
Comme il pleut sur la ville
Quelle est cette languer
Qui pénètre mon coeur?

Ô bruit doux de la pluie
Par terre et sur les toits!
Pour un coeur qui s'ennuie,
Ô le chant de la pluie!

Il pleure sans raison
Dans ce coeur qui s'écoeur.
Quoi! Nulle trahison?
Ce deuil est sans raison.

C'est bien la pire peine
De ne savoir porquoi
Sans amour et sans haine
Mon coeur a tant de peine!

Paul Verlaine

terça-feira, 19 de março de 2013

sexta-feira, 15 de março de 2013

Tortura


T.J.
Tirar dentro do peito a emoção,
A  lúcida verdade, o sentimento!
-E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!...
 
Sonhar um verso de alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração!
-E ser depois de vir do coração,
O pó, o nada,  o sonho dum momento...
 
São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros com que minto!
 
Quem me dera encontar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho  e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!
 
 
Florbela Espanca (Livro das Mágoas)

quarta-feira, 13 de março de 2013

segunda-feira, 11 de março de 2013

Soneto de aniversário

Passam-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envelhecida
Diminuamos bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que  vê envelhecer e não  envelhece.

Vinícios de Moraes

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Sorriso

Creio que foi o sorriso.
O sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz.
Lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr,navegar, morrer naquele sorriso.

Eugénio de Andrade.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A Minha Vida é um Barco Abandonado

 
T.J.


A minha vida é um barco abandonado
Infiel, no ermo porto, ao seu destino.
Porque não ergue ferro e segue o atino
De navegar, casado com o seu fado?
 
Ah! falta quem o lance ao mar, e alado
Torne seu vulto em velas, peregrino
Frescor de afastamento, no divino
Amplexo da manhã, puro e salgado.
 
Morto corpo da acção sem vontade
Que o viva, vulto estéril de viver,
Boiando à tona inútil da saudade.
 
Os livros esverdeiam tua quilha,
O vento embala-te sem te mover
E é para além do mar a ansiada Ilha.
 
Fernando Pessoa "I n Cancioneiro"
 
 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Contrição.

 
T.J.
 
Cansei de ser a boa pessoa que tudo aceita;
Cansei de ser vitima da situação;
Cansei da hipocrisia que roda à minha volta;
Cansei de deixar de dizer o que sinto para não magoar os outros;
Cansei de me deixar levar pelos sentimentos;
Cansei de calar e deixar de reclamar;
Enfim, cansei de ser quem sou.
De agora em diante serei outra (não outra pessoa).
Terei outro pensamento, outra atitude, outra verdade...
 
T.J.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

 
T.J.
Vejo-me e revejo-me
no reflexo da incerteza.
Conto os passos que perdi, os que encontro
e sai de mim a indubitável certeza
de que nada sou.
 
Caminho a passos largos e  incertos
resvalo por caminhos desenhados em mapa confuso
de traços ambíguos.
E pergunto-me que viajante sou?
Peregrina por dever, ou turista desta vida que me escolheu?
 
Vou tentando encontrar a verdade.
Onde estará?
 
Talvez o sonho me traga outro espaço, outro rumo
-a certeza de ser o que quero-
 Quando a noite cair
e o mundo se transformar!!!
 
T.J.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Oculta Lágrima

 
T.J.
 


Mesmo que retornasses a pisar
as ervas do caminho,
mesmo que as tuas mãos anunciassem
em concha agua das fontes,
mesmo que em desatino
os sons da tua voz
como outrora se ouvissem perto ou longe
e mesmo que os teus olhos
languidamente para os meus olhassem -
só pooderia responder-te agora
com uma oculta lágrima
que não foi derramada
 
 
Antonio Salvado (Essa Estória).

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

 
T.J.
 
De Paris avec la neige et la pluie.


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Arvore adentro

 
T.J.

 
Cresceu em minha fronte uma arvore.
Cresceu para dentro.
Suas raízes são veias,
nervos suas ramas.
Sua confusa folhagem pensamentos.
Teus olhares a acendem
e seus frutos de sombras
são laranjas de sangue,
são granadas de luz.
 
Amanhece:
 
na noite do corpo
ali dentro, em minha fronte,
a arvore fala.
 
Aproxima-te. Ouves?
 
Octávio Paz

terça-feira, 1 de janeiro de 2013