quinta-feira, 25 de julho de 2013

Que te vaya bonito...


T.J.
 
"Um dia quebrarei todas as pontes,
Que ligam o meu ser, vivo e total
A agitação do mundo do irreal,
E calma subirei até às fontes.
 
Irei até às fontes onde mora
A plenitude, o intimo esplendor
Que nos foi prometido em cada hora,
E na face incompleta do amor.
 
Irei beber a luz e o amanhecer,
Irei beber a voz dessa promessa
Que às vezes como um voo me atravessa
E nela cumprirei o meu ser."
 
 
Sophia de Mello Breyner Andresen

sábado, 20 de julho de 2013

T.J.
 
Se me deixares, eu digo
O contrário a toda a gente;
E, neste mundo de enganos,
Fala verdade quem mente.
Tu dizes que a minha boca,
Já não merece os teus beijos;
Mas, tem cuidado comigo:
Se  me deixares, eu digo
O contrário a toda a gente
 
 
 
António Botto.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Sunshine...


Fulgor

T.J.
 

Tateio à minha
Volta
E é só fulgor
Tento deslumbrar
O sol que cega
Demoro-me demasiado
No calor

Para a minha sede
Nenhuma agua chega.

Maria Teresa Horta

sexta-feira, 12 de julho de 2013

I'm glad....


Tu

T.J.
 
...Me bebes
E eu me converto
Na tua sede.
Meus lábios mordem,
Meus dentes beijam,
Minha pele te veste
E tu ficas ainda
Mais despida.
 
Pudesse eu ser tu
E em tua saudade ser
A minha própria espera
Mas eu deito-me
No teu leito quando apenas
Queria dormir em ti,
E sonho-te quando
Ansiava ser
Um sonho teu.
 
E levito, voo de semente,
Para em mim mesmo te plantar
Menos que flor:
Simples perfume, lembrança
De pétalas sem chão
Onde tombar.
 
Teus olhos inundando os meus
E a minha vida, já sem leito,
Vai galgando margens
Até tudo ser mar.
 
Esse mar que só´há
Depois do mar.
 
 
Mia Couto.


segunda-feira, 8 de julho de 2013

domingo, 7 de julho de 2013

A Voz

T.J.
Da tua voz
O corpo
O tempo já vencido
Os dedos que me
Vogam
Nos cabelos
E os lábios que me
Roçam pela boca
Nesta mansa tortura
Em nunca tê-los...
 
Meu amor
Que quartos na memória
Não ocupamos nós
Se não partimos...
Mas porque assim te invento
E já te troco as horas
Vou passando dos teus braços
Que não sei
Para o vácuo em que me deixas
Se demoras
Nesta mansa certeza que não vens.
 
Maria Teresa Horta
 


sexta-feira, 5 de julho de 2013

Não, Não é Cansaço

T.J.
 

Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar.

É um domingo às avessas
Do sentimento
Um feriado passado no abismo.

Não, Cansaço não é...
É um estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Com tudo aquilo que nele se desdobra.
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Não. Cansaço porquê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta-
Qualquer coisa com um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angustia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...

Como quê?
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.
(Ai cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola de outro, e a voz dela!)
Porque oiço, vejo.

Confesso: é cansaço!...

Alvaro de Campos.