sábado, 31 de dezembro de 2011

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

video

SILENCIO

T.J.

Yo que crecí dentro de un árbol

tendría mucho que decir,

pero aprendi tanto silencio

que tengo mucho que callar

y eso se conoce creciendo

sin otro goce que crecer,

sin más pasión que la substancia,

sin más acción que la inocencia,

y por dentro el tiempo dorado

hasta que la altura lo llama

para convertirlo en naranja


Pablo Neruda

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

SILENCIO

-O silencio é um amigo que jamais nos atraiçoa...


video


Teresa Jorge.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Mas de Repente...



T.J.



Mas de repente voltas

numa dor de esperança sem razão de ser


Da sua indiferença

agressivamente as coisas saem


Sentimo-nos cercados

ameaçados pelas coisas

e agora lamentamos o tempo perdido

a dispo-las a nosso favor


Porque é tempo de romper com tudo isto

é tempo de unir no mesmo gesto

o real e o sonho

é tempo de libertar as imagens as palavras

das minas do sonho a que descemos

mineiros sonambulos da imaginação


É tempo de acordar nas trevas do real

na desolada promessa

do dia verdadeiro.


Alexandre O'Neill (tempo de Fantasmas)

sábado, 29 de outubro de 2011

AL ESPEJO


Por qué persistes, incesante espejo?
Por qué duplicas. misterioso hermano,
el menor movimiento de mi mano?
Por qué en la sombra el súbito reflejo?
Eres el otro yo de que habla el griego
y acechas desde siempre. En la tersura
del agua incierta o del cristal que dura
me buscas y es inútil estar ciego.
El hecho de no verte y de saberte
te agrega horror, cosa de magia que osas
multiplicar la cifra de las cosas
que somos y que abarcan nuestra suerte.
Cuando esté muerto, copiarás a otro
y luego a otro, a otro, a otro, a otro...

Jorge Luis Borges (La Rosa Profunda)

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

DOUBT...

UNA BRÚJULA

Todas las cosas son palabras del
idioma en que Alguien o Algo, noche y dia
escibe esa infinita algarabía
que es la historia del mundo. En su tropel
pasan Cartago y Roma, yo, tú, él,
mi vida que no entiendo, esta agonía
de ser enigma, azar, criptografía
y toda la discordia de Babel.
Detrás del nombre hay lo que no se nombra;
hoy he sentido gravitar su sombra
en esta aguja azul, lúcida y leve,
que hacia el confín de un mar tiende su empeño,
con algo de reloj visto en un sueño
y algo de ave dormida que se mueve.

Jorge Luis Borges (El Otro, El Mismo)

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

LOS ENIGMAS

Yo que soy el que ahora está cantando
seré mañana el misterioso, el muerto,
el morador de un mágico y desierto
orbe sin antes ni después ni cuándo.
Así afirma la mística. Me creo
indigno del Infierno o de la Glória,
pero nada predigo. Nuestra historia
cambia como las formas de Proteo.
Qué errante laberinto, qué blancura
ciega de resplendor será mi suerte,
cuando me entregue el fin de esta aventura
la curiosa experiencia de la muerte?
Quiero beber su cristalino Olvido,
ser para siempre; pero no haber sido.

Jorge Luisw Borges (El Otro el Mismo)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

1964

I.

Ya no es mágico el mundo. Te han dejado.
Ya no compartirás la clara luna
ni los lentos jardines.Ya no hay una
luna que nos sea espejo del pasado,
cristal de soledad, sol de agonías.
Adiós las mutuas manos y las sienes
que acercaba el amor. Hoy solo tienes
la fiel memoria y los desiertos dias.
Nadie pierde (repites vanamente)
sino lo que no tiene y no ha tenido
nunca,pero no basta ser valiente
para aprender el arte del olvido.
Un símbolo, una rosa, te desgarra
y te puede matar una guitarra

Jorge Luis Borges (El otro, El mismo).

terça-feira, 11 de outubro de 2011

I SET FIRE ....

CERCANÍAS

Los patios y su antigua certidumbre,
los patios cimentados
en la tierra y el cielo.
Las ventanas con reja
desde la cual la calle
se vuelve familiar como una lámpara.
Las alcobas profundas
donde arde en quieta llama la caoba
y el espejo de tenues resplendores
es como un remanso en la sombra.
Las encrucijadas oscuras
que lancean cuatro infinitas distancias
en arrabales de silencio.
He nombrado los sitios
donde se desparrama la ternura
y estoy solo y conmigo.

Jorge Luis Borges (Fervor de Buenos Aires)

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

AH, ESTA ALMA QUE NÃO ARDE



T.J.


Ah, esta alma que não arde

não evolve, porque ama,

a esperança, ainda que vã,

o esquecimento que vive

entre o orvalho da tarde

e o orvalho da manhã.


Fernando Pessoa

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

OUVINDO...

SEI QUE NUNCA TEREI O QUE PROCURO...



T.j.


Sei que nunca terei o que procuro

e que nem sei buscar o que desejo,

mas busco insciente, no silêncio escuro

e pasmo do que sei que não almejo.


Fernando Pessoa

terça-feira, 20 de setembro de 2011

WHY ???

I am the escaped one



T.J.


I am the escaped one

After I was born

They locked me up inside me

But I left.

My soul seeks me,

Through hills and valley,

I hope my soul

Never finds me...



Fernando Pessoa

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

FÉRIAS



Acabaram!!!










Vamos voltar à rotina diária.










Mais 11 meses de trabalho, de stress...










terça-feira, 13 de setembro de 2011

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

7.




T.J.


Eu não sou eu nem sou o outro,

Sou qualquer coisa de intermédio:

Pilar da ponte de tédio

Que vai de mim para o Outro.



Mário de Sá Carneiro in "Indícios de Oiro"


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

FÉRIAS...VACANCES...HOLIDAYS...



T.J.


Finalmente alguns poucos dias de merecidas férias!!!

domingo, 7 de agosto de 2011

O PASSADO É O PRESENTE NA LEMBRANÇA



T.J.


Se recordo quem fui, outrem me vejo,

E o passado é o presente na lembrança.

Quem fui é alguem que amo

Porem somente em sonho.

E a saudade que me aflige a mente

Não é de mim nem do passado visto,

sendo de quem habito

Por trás dos olhos cegos.

Nada, senão o instante, me conhece.

Minha mesma lembrança é nada, e sinto

Que quem sou e quem fui

são sonhos diferentes.


Ricardo Reis in "Odes"

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

SOMETIMES...

POR VEZES



T.J.

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos. E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos.

David Mourão Ferreira.

domingo, 31 de julho de 2011

DEVIAS ESTAR AQUI...



T.J.


Devias estar aqui rente aos meus lábios

para dividir contigo esta amargura

dos meus dias partidos um a um.


-Eu vi a terra limpa no teu rosto,

só no teu rosto e nunca em mais nenhum



Eugénio de Andrade.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

QUÁSI

Um pouco mais de sol-eu era brasa,
Um pouco mais de azul-eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe d'asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém.

Assombro ou paz? Em vão...Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho-ó dor-quasi vivido...

Quasi o amor, quasi o tiunfo e a chama,
Quasi o principio e o fim-quasi a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo...e tudo errou...
-Ai a dor de ser-quasi,dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei-me em mim,
Asas que se enlaçou mas não voou...

Momentos d'alma que desbaratei...
Templos onde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar
Ansias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio encontro só indicios...
Ogivas para o sol-vejo-as cerradas;
E mãos de heroi, sem fé acobardadas,
Puseram grades sobre os precipicios...

Num impeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi.

................
................
Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul- eu era além
Para atingir, faltou-me um golpe d'asa...
Se ao menos eu permanecesse aquem.


Mário de Sá Carneiro in «Dispersão»

domingo, 17 de julho de 2011

DESDE A AURORA

Como um sol de polpa escura
para levar à boca,
eis as mãos:
procuram-te desde o chão,

entre os veios do sono
e da memória procuram-te:
à vertigem do ar
abrem as portas:

Vai entrar o vento ou o violento
aroma de uma candeia,
e subitamente a ferida
recomeça a sangrar:

é tempo de colher: a noite
iluminou-se bago a bago: vai surgir
para beber de um trago
como um grito contra o muro

Sou eu -a terra- que te procuro.


Eugénio de Andrade.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

OUVINDO...

.../...

Pousa um momento,
Um só momento em mim
Não só o olhar, também o pensamento.
Que a vida tenha fim nesse momento!
No olhar a alma tambem
Olhando-me, e eu a vêr
Tudo quanto de ti o teu olhar tem.
A vêr até esquecer
Que tu és tu tambem.
Só tua alma sem tu
Só o teu pensamento
E eu onde, alma sem eu, tudo o que sou.
Ficou o momento
E o momento parou.


Fernando Pessoa.

domingo, 3 de julho de 2011

SOLIDÃO



T.J.


Hà momentos infelizes em que a solidão

e o silêncio se tornam meios de liberdade....


Paul Veléry.

terça-feira, 28 de junho de 2011

O QUE FICOU PARA TRÁS

Um monte de sonhos,
ilusões brilhantes
que foram perdendo a luz...
Esvaneceram-se!
Como nuvens foram-se espalhando
soprados pelos ventos da vida.

O que restou?
Só a leve luz da esperança
de que um dia chegue a bonança
e me traga de volta
o que ficou para trás.

T.J.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

quarta-feira, 22 de junho de 2011

TERNURA

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus
ouvidos.

Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos
eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam
melancólicamente.

E posso te dizer que o grande afeto que te
deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a
fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da
alma...

É um sossego, uma unção, um transbordamento
de carícias
e só te pede que repouses quieta, muito
quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade o olhar extatico da
aurora.


Vinicius de Moraes

TENDERLY



T.J.

sábado, 18 de junho de 2011

OUVINDO,,,

PERSIANAS



T.J.

O que me prende a ti

são as lianas do tacto

do acto

no corpo que te invento


por de trás das persianas


por dentro da paixão

do pensamento


Maria Teresa Horta (Só de Amor - Poesia Reunida)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

OUVINDO...

CIÚME

Tão perto do ciúme
amor
das tuas palpebras

do crespo do teu
cheiro
da tua aspereza clara

tão perto do volume
longo que resvala
da pele dos teus dedos
amor

Da tua fala.

Maria Teresa Horta (Amor Habitado)-Poesia Reunida

sábado, 11 de junho de 2011

SONETO A QUATRO MÃOS



T.J.


Tudo de amor que existe em mim foi dado

Tudo que fala em mim de amor foi dito

Do nada em mim o amor fez o infinito

Que por muito tornou-me escravizado.


Tão prodigo de amor fiquei coitado

Tão fácil para amar fiquei proscrito

Cada voto que fiz ergueu-se em grito

Contra o meu proprio dar demasiado.


Tenho dado de amor mais que coubesse

Nesse meu pobre coração humano

Desse eterno amor meu antes não desse


Pois se por tanto dar me fiz engano

Melhor fora que desse e recebesse

Para viver da vida o amor sem dano.


Vinicius de Moraes.


quarta-feira, 8 de junho de 2011

VOAVA...

XVI.

Voava
Com a memória
das asas

No silêncio inverso
do silêncio

e do sono.


Maria Teresa Horta
(Anjos da memória-Poesia Reunida)

THE WIND....

sábado, 4 de junho de 2011

COM MEDO DE VOAR...

T.J.


Às vezes,

é tarde demais para seguir em frente.

Às vezes,

é cedo de mais para voltar atrás.

O tempo é inverso à nossa vontade,

e o que nos atrai já não é verdade.

É fácil não estar no lugar marcado

e tão fácil seguir o caminho errado!


Às vezes,

eu não salto, com medo de voar.

Às vezes ,

eu não sonho com medo de acordar.

Às vezes,

eu não canto com medo de me ouvir!!!.




sexta-feira, 3 de junho de 2011

POEMA 1964

I.


Ya no es mágico el mundo
te han dejado.
Ya no compartirás la clara luna
ni los lentos jardines. Ya no hay una
luna que no sea espejo del passado,
cristal de soledad, sol de agonias.

Adiós las mutuas manos y las sienes
que acercaba el amor. Hoy sólo tienes
la fiel memoria y los desiertos dias.

Nadie pierde (repites vanamente)
Sino lo que no tiene y no hay tenido
nunca, pero no basta ser valiente
para aprender el arte del olvido.

Un símbolo, una rosa, te desgarra
y te puede matar una guitarra.


II.

Ya no será feliz. Talvez no importa.
Hay tantas otras cosas en el mundo;
un instante cualquiera es más profundo
y diverso que el mar. La vida es corta
y aunque las horas son tan largas, una
oscura maravilla nos acecha,
la muerte, ese otro mar, esa otra flecha
que nos libra del sol y de la luna
y del amor. La dicha que me diste
y me quitaste debe ser borrada;
lo que era toodo tiene que ser nada.

Sólo que me queda el goce de estar triste,
esa vana costumbre que me inclina
al Sur, a cierta puerta, a cierta esquina.


J.Luis Borges

quarta-feira, 25 de maio de 2011

INVENTO

Porque será meu amor
que sempre
na tua ausência tudo se suspende

e o vício de te vêr é tanto
que em todo o sítio meu amor
te invento


Maria Teresa Horta (Amor Habitado - Poesia Reunida)

terça-feira, 24 de maio de 2011

PRECE

T.j.



Digo o teu nome

baixo

repetido

como quem diz a prece

condenada

perante um deus maligno e antigo

vingativo

violento

viciado


Digo

murmurando um castiçal

de prata

e de areia cinzelado


é o teu nome

castiçal sagrado

que acendo reacendo e não apago.


Maria Teresa Horta (Candelabro -Poesia Reunida)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

terça-feira, 17 de maio de 2011

PARIS ICI...

T.J.

SAUDADE


Tenho no corpo a

secura

e toda a aspereza da terra


Saudade de quem

segura

nos olhos ruas e prédios



Maria Teresa Horta (poesia reunida)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

sábado, 7 de maio de 2011

LONELY...

PENUMBRA

T.J.




Esta penumbra es lenta, no duele;

fluye por un manso declive

y se parece a la eternidad



J.L.Borges.

sábado, 30 de abril de 2011

OUVINDO...

CADA CANCIÓN

Cada canción
es un remanso
del amor

Cada lucero
un remanso
del tiempo
un nudo
del tiempo

Y cada suspiro
un remanso
del grito.



F.G.Lorca

segunda-feira, 25 de abril de 2011

SI MIS MANOS PUDIERAN

T.J.


Yo pronuncio tu nombre

En las noches oscuras

Cuando vienen los astros

A beber en la luna

Y duermen los ramajes

De las frondas ocultas.


Y yo me siento hueco

De pasión y de musica.

Loco reloj que canta

Muertas horas antiguas.


Yo pronuncio tu nombre,

En esta noche oscura,

Y tu nombre me suena

Más lejano que nunca.

Más lejano que todas las estrellas

Y más doliente que la mansa lluvia.


Te querré como entonces

Alguna vez? Qué culpa

Tiene mi corazón?

Si la niebla se esfuma.

Qué otra pasión me espera?

Será tranquila y pura?

Si mis dedos pudieran

Deshojar a la luna.


Frederico G.Lorca.


sexta-feira, 22 de abril de 2011

terça-feira, 19 de abril de 2011

T.J.


Nega-me o pão, o ar,

a luz, a primavera,

mas nunca o teu riso

porque então morreria.


Pablo Neruda.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

OUVINDO...

MEMÓRIA

Eras tu, sim, outra vez a meu lado,
mas noutro lugar... noutro tempo...
Não sei se foi um sonho, se verdade;
se toda a vida, se apenas um momento.

Porém, como te senti real em cada gesto!
Como eras tu em cada linha do teu rosto!
(Se eras verdade, amor, pra que vieste?
Se eras um sonho, então, porque te foste?)


Eduíno de Jesus (Os Silos do Silêncio)

domingo, 10 de abril de 2011

OUVINDO

COM AS MÃOS

Com as mãos
construo
a saudade do teu corpo,
onde havia

uma porta,
um jardim suspenso,
um rio,
um cavalo espantado à desfilada.

Com as mãos
descrevo o limiar,
os aromas subtis,
os largos estuários,

as crinas ardentes
fustigando-me o rosto,
a vertigem do apelo nocturno,
o susto.

Com as mãos procuro
(ainda) colher o tempo
de cada movimento do teu corpo
em seu voo.

E por fim destruo
todos os vestígios (com as mãos);
Bruscamente.


Eduíno de Jesus (Os Silos do Silêncio)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

OUVINDO.....

POEMA 15

T.J.



Me gustas cuando callas porque estás ausente,

y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.

Parece que los ojos se te hubieran volado

y parece que un beso te cerrara la boca.


Como todas las cosas están llenas de mi alma

emerges de las cosas, lenna del alma mia.

Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,

y te pareces a la palabra melancolia.


Me gustas quando callas y estás distante.

Y estás como quéjandote, mariposa en arrullo.

Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:

déjame que me calle con el silencio tuyo.


Dejame que te hable también con tu silencio

claro como una lámpara, simple como un anillo.

Eres como la noche, callada e constelada.

Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.


Me gustas cuando callas porque estás como ausente.

Distante y dolorosa como si hubieras muerto.

Una palabra entonces, una sonrisa bastan.

Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.



Pablo Neruda (20 Poemas e Uma Canção Desesperada)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

AIR VIF

J'ai regardé devant moi
Dans la foule je t'ai vue
Parmi les blés je t'ai vue
Sous un arbre je t'ai vue

Au bout de tous mes voyages
Au fond de tous mes tourments
Au tournant de tous les rires
Sortant de l'eau et du feu

L'été l'hiver je t'ai vue
Dans ma maison je t'ai vue
Entre mes bras je t'ai vue
Dans mes réves je t'ai vue

Je ne te quitterais plus.

Paul Éluard (Le phénix)

What a difference...

sábado, 2 de abril de 2011

O TEU NOME...

Flôr do acaso ou ave deslumbrante,
Palavre tremendo nas redes da poesia,
O teu nome,como o destino, chega,
O teu nome, meu amor, o teu nome nascendo
De todas as cores do dia!



Alexandre O'Neill

PRETEXTOS PARA FUGIR DO REAL

A uma luz perigosa como a àgua
De sonho e assalto
Subindo ao teu corpo real
Recordo-te
E és a mesma
Ternura quase impossível
De suportar
Por isso fecho os olhos
(o amor faz-me recuperar incessantemente o poder
da provocação. É assim que te faço arder triunfalmente
onde e quando quero. Basta-me fechar os olhos)
Por isso fecho os olhos
E convido a noite para a minha cama
Convido-a a tornar-se tocante
Familiar concreta
Como um corpo decifrado de mulher
E sob a forma desejada
A noite deita-se comigo
E é a tua ausência
Nua nos meus braços.


Alexandre O'Neill

sexta-feira, 25 de março de 2011

LANGUIDEZ

Fecho as palpebras roxas quase pretas,
Que poisam sobre duas violetas,
Asas leves cansadas de voar...

E a minha boca tem uns beijos mudos...
E as minhas mãos, uns pálidos veludos,
Traçam gestos de sonho pelo ar.



Florbela Espanca

quinta-feira, 24 de março de 2011

quarta-feira, 23 de março de 2011

IMORTAIS

Por mais que a vida nos agarre assim.
Nos troque planos sem sequer pedir.
Sem perguntar a que é que tem direito,
sem lhe importar o que nos faz sentir.

Eu sei que ainda somos imortais,
se nos olhamos tão fundo de frente.
Se o meu caminho fôr por onde vais
a encher de luz os meus lugares ausentes.

É que eu quero-te tanto.
Não saberia não te ter.
É que eu quero-te tanto.
É sempre mais do que eu te sei dizer.
Mil vezes mais do que eu te sei dizer.

Por mais que a vida nos agarre assim.
Nos dê em troca o que nos roubou.
Ás vezes fogo e mar, loucura e chão,
ás vezes só a cinza do que sobrou.

Eu sei que ainda somos muito mais,
se nos olhamos tão fundo de fren te.
Se a minha vida fôr por onde vais
a encher de luz os meus lugares ausentes.

É que eu quero-te tanto.
Não saberia não te ter.
É que eu quero-te tanto.
É sempre mais do que eu te sei dizer.
Mil vezes mais do que eu te sei dizer.


T.J.

sábado, 19 de março de 2011

TRADUZIR-SE


T.J.
Uma parte de mim
é todo o mundo:
Outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte linguagem.
Traduzir uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
Será arte?
Ferreira Gullar

quarta-feira, 16 de março de 2011

O mundo...


T.J.
O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.
Carlos D. Andrade.

O LIVRO DOS AMANTES


T.J.
VI.
Aumentámos a vida com palavras
agua a correr num fundo tão vazio.
As vidas são histórias aumentadas.
Há que ser rio.
Passámos tanta vez naquela estrada.
Talvez a curva onde se ilude o mundo.
O amor é ser-se dono e não ter nada.
Mas pede tudo.
Natália Correia in O Livro dos Amantes

terça-feira, 15 de março de 2011

OL LIVRO DOS AMANTES


T.J.
V.
Toma o meu corpo transparente
no que ultrapassa tua existência taciturna.
Dou-me arrepiando em tua face
uma aragem nocturna.
Vem contemplar nos meus olhos de vidente
a morte que procuras
nos braços que te possuem para alem de ter-te.
Toma-me nesta pureza com angulos de tragédia.
Fica naquele gosto de sangue
que tem por vezes a boca da inocência.
Natália Correia in O Livro dos Amantes

domingo, 13 de março de 2011

O LIVRO DOS AMANTES

T.J.
Dá-me a tua mão por cima das horas
Quero-te conciso.
Adão depois do paraíso
errando mais nítido à distancia
onde te exalto porque te demoras
Natália Correia ( in O Livro dos Amantes)

THE MAN...

terça-feira, 8 de março de 2011

O LIVRO DOS AMANTES


T.J.
II.
Principe secreto da aventura
em meus olhos um dia começada e finita.
Onda de amargura uma àgua tranquila.
Flor insegura enlaçada no vento que a suporta.
Passaro esquivo em meus ombros de aragem
reacendendo em cadência e em passagem
a lua que trazia e que apagou.
Natália Correia (in O Livro dos Amantes)

O LIVRO DOS AMANTES

I.
T.J
Glorifiquei-te no eterno.
Eterno dentro de mim
fora de mim perecível.
Para que desse um sentio
a uma sede indefinível.

Para que desses um nome
à exactidão do instante
do fruto que cai na terra
sempre prependicular
à humidade onde fica.

E o que acontece durante
na rapidez da descida
é a explicação da vida...

Natália Correia (in O Livro dos Amantes)

sexta-feira, 4 de março de 2011

ESTOU ALÉM

Não consigo dominar
este estado de ansiedade
A pressa de chegar
p'ra não chegar tarde.

Não sei de que é que eu fujo
será desta solidão?
mas porque é que eu recuso
quem quer dar-me a mão?

Vou continuar a procurar
a quem eu me quero dar.
Porque até aqui eu só...
Quero quem,
quem eu nunca vi.
Só quero quem,
quem não conheci.

Esta insatisfação.
Não consigo compreender,
sempre esta sensação
que estou a perder.
Tenho pressa de sair.
Quero sentir ao chegar,
vontade de partir
p'ra outro lugar.

Vou continuar a procurar
o meu mundo,
o meu lugar...
porque até aqui eu só...
Estou bem
aonde não estou.
Só quero ir
aonde não vou.


(António Variações)

sábado, 12 de fevereiro de 2011

AINDA SOMBRA...

Sombra, meu avesso.
Metade de mim que ainda desconheço...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O Erro de Querer ser Igual a ALGUÉM

Aqui neste misérrimo desterro
Onde nem desterrado estou, habito,
Fiel,sem que queira, àquele antigo erro
Pelo qual sou proscrito.
O erro de querer ser igual a alguém
Feliz em suma - quanto a noite deu
A cada coração o único bem
De ele poder ser seu.

Ricardo Reis, in "Odes"

ONE...

sábado, 29 de janeiro de 2011

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

looking through the glass...

AINDA...SOMBRA

Sombra...
Imagem sem vida que se mexe ao ritmo dos corpos
que controla implacavelmente.
Negro que se agarra a nós, nos prende aos lugares
e nos mostra a realidade.
Sombra,
Silhueta que nos mostra a procura no
infinito de um sinal de presença e conforto...

Teresa

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

EU...

Eu
E tu sombra.
Talvez só a lua e nós
Nesta imensidão do tempo
Sejamos
O que aparentamos.
Manchas...
Contemplamo-nos mutuamente
Perguntando
Onde está a realidade?...
Teresa

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

JUST ME AND MY SHADOW...

SOMBRA 2.


Do ponto de vista
do sol e da lua
ou de outro qualquer foco de luz
que no alto se situa,
a sombra é
um reflexo do ser.

Na visão no solo
ou onde ela se projecta,
obliquamente,
ou em linha recta,
-a nós pode não parecer-
mas sombra, é o nosso próprio ser.

T.J.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

SOMBRA

(...)
Quero voltar! Não sei por onde vim...
Ah! Não ser mais do que a sombra de uma sombra
Por entre tanta sombra igual a mim!
Florbela Espanca.