Mes yeux soudain horriblement
Ne voient pas plus loin que moi
Je fais des gestes dans le vide
Je suis comme un aveugle-né
De son unique nuit témoin
La vie soudain horriblement
N'est plus à la mesure du temps
Mon désert contredit l'espace
Désert pourri désert livide
De ma morte que j'envie
J'ai dans mon corps vivant les ruines de l'amour
Ma morte dans sa robe au col taché de sang.
Paul Éluard (Le temps déborde)
quarta-feira, 7 de julho de 2010
terça-feira, 6 de julho de 2010
Roubo do hoje a força
Fazendo nascer o amanhã.
Da janela, acompanho com o olhar
As nuvens do céu.
De novo a sombra sinistra
Tolda tristemente meus sonhos.
Tua imagem me acompanha
Por todos os lugares por onde ando.
E em todos os momentos
É a tua presença que espanta
As brumas do desconhecido.
Rabindranath Tagore.
Fazendo nascer o amanhã.
Da janela, acompanho com o olhar
As nuvens do céu.
De novo a sombra sinistra
Tolda tristemente meus sonhos.
Tua imagem me acompanha
Por todos os lugares por onde ando.
E em todos os momentos
É a tua presença que espanta
As brumas do desconhecido.
Rabindranath Tagore.
domingo, 4 de julho de 2010
O LIVRO DO SAPATEIRO
39.
Quando, ao cair da noite,
zumbe lá fora algo que não conheço,
será talvez o roçagar das nuvens
ou o ar agitado por um aceno
que me chama para longe deste banco.
E de repente choro
tentando não molhar a paz evanescente
que as minhas mãos seguram incompleta
e que um dia, perfeita, falará
ela própria comigo, meu destino.
PEDRO TAMEN.
Quando, ao cair da noite,
zumbe lá fora algo que não conheço,
será talvez o roçagar das nuvens
ou o ar agitado por um aceno
que me chama para longe deste banco.
E de repente choro
tentando não molhar a paz evanescente
que as minhas mãos seguram incompleta
e que um dia, perfeita, falará
ela própria comigo, meu destino.
PEDRO TAMEN.
sábado, 3 de julho de 2010
O LIVRO DO SAPATEIRO
32.s.
Um longo casaco de veludo azul
cobrirá um dia a madrugada que fabrico
dia por dia, mastigando os minutos
nos gestos destas mãos.
E ficará perfeita a vida que sufoco
nesta cave insalubre,
na penumbra habitada.
PEDRO TAMEN.
Um longo casaco de veludo azul
cobrirá um dia a madrugada que fabrico
dia por dia, mastigando os minutos
nos gestos destas mãos.
E ficará perfeita a vida que sufoco
nesta cave insalubre,
na penumbra habitada.
PEDRO TAMEN.
O LIVRO DO SAPATEIRO
40.
Que faço eu senão amar
o milagre sem paga
a lírica explosão
de um rio que brota neste espaço
de um algo agora acrescentado
ao mudo mundo em que nasci?
Que faço eu que faço
senão olhar o que tenho em frente
e deixar que as lágrimas caiam
dadivosas?
PEDRO TAMEN.
Que faço eu senão amar
o milagre sem paga
a lírica explosão
de um rio que brota neste espaço
de um algo agora acrescentado
ao mudo mundo em que nasci?
Que faço eu que faço
senão olhar o que tenho em frente
e deixar que as lágrimas caiam
dadivosas?
PEDRO TAMEN.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
O LIVRO DO SAPATEIRO
26.
Suspendo a mão entre o A e o B,
entre a minha vida e a vida que andará
dentro da minha vida.
E o mundo refloresce
com memórias de rios e montanhas
inundando estes mares de sal e carne
onde me afogo
para respirar
PEDRO TAMEN
Suspendo a mão entre o A e o B,
entre a minha vida e a vida que andará
dentro da minha vida.
E o mundo refloresce
com memórias de rios e montanhas
inundando estes mares de sal e carne
onde me afogo
para respirar
PEDRO TAMEN
quinta-feira, 1 de julho de 2010
O LIVRO DO SAPATEIRO
23.
E ao fim do meu dia
a matéria de que se faz a minha vida
de novo abandonada
de novo de novo abandonada
pergunta-me silenciosa
se ao apagar da luz
a vida terá principio
PEDRO TAMEN.
E ao fim do meu dia
a matéria de que se faz a minha vida
de novo abandonada
de novo de novo abandonada
pergunta-me silenciosa
se ao apagar da luz
a vida terá principio
PEDRO TAMEN.
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