sábado, 24 de novembro de 2012
ESCRITO D E MEMÓRIA
T.J.
Formado em direito e solidão,às escuras te busco enquanto a chuva brilha.
É verdade que olhas, é verdade que dizes.
Que todos temos medo e àgua pura.
A que deuses te devo, se te devo,
que espanto, é este, se há razão para ele?
Como te busco, então se estás aqui,
ou, se não estás, porque te quero tida?
Quais olhos e qual noite?
Aquela
em que estivestes por me dizeres
o teu nome.
Pedro Tamen (Tábua de Matérias)
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Nao te quero senão porque te quero
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| T.J. |
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te vêr e amar-te,
como um cego.
Talvez consumirá a luz de Janeiro
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.
Pablo Neruda,
sábado, 27 de outubro de 2012
DEVO-TE
devo-te tanto como um pássaro
deve o seu voo à lavada
planície do céu.
Devo-te a forma
novíssima de olhar
teu corpo onde às vezes
desce o pudor o silencio
de uma palpebra mais nada...
Devo-te o ritmo
de peixe na palavra,
a genesíaca, doce
violencia dos sentidos;
esta tinta de sol
sobre o papel de silencio
das coisas - estes versos
doces, curtos, de abelhas
transportando o polén
levíssimo do dia;
estas formigas na sombra
da propria pressa entrando
todas em fila no tempo,
uma pergunta frágil
nas antenas, um recado invisível, o peso
que as deixa ser e esquece;
e a tua voz que compunha
uma casa, uma rosa
a toda a volta - ó meu amor vieste
rasgar um sol das minhas mãos!
Vitor Matos e Sá (O silencio e o tempo)
deve o seu voo à lavada
planície do céu.
Devo-te a forma
novíssima de olhar
teu corpo onde às vezes
desce o pudor o silencio
de uma palpebra mais nada...
Devo-te o ritmo
de peixe na palavra,
a genesíaca, doce
violencia dos sentidos;
esta tinta de sol
sobre o papel de silencio
das coisas - estes versos
doces, curtos, de abelhas
transportando o polén
levíssimo do dia;
estas formigas na sombra
da propria pressa entrando
todas em fila no tempo,
uma pergunta frágil
nas antenas, um recado invisível, o peso
que as deixa ser e esquece;
e a tua voz que compunha
uma casa, uma rosa
a toda a volta - ó meu amor vieste
rasgar um sol das minhas mãos!
Vitor Matos e Sá (O silencio e o tempo)
sábado, 20 de outubro de 2012
Não sei...
Não sei se é amor que tens, ou amor que finjes,
O que me dás. Dás-mo, tanto me basta.
Já que não sou por tempo,
seja em jovem por erro.
Pouco os deuses me dão, e o pouco é falso.
Porém, se o dão, falsa que seja, a dádiva
É verdadeira. Aceito,
Cerro os olhos: é bastante
Que mais quero?
Ricardo Reis *in odes*
O que me dás. Dás-mo, tanto me basta.
Já que não sou por tempo,
seja em jovem por erro.
Pouco os deuses me dão, e o pouco é falso.
Porém, se o dão, falsa que seja, a dádiva
É verdadeira. Aceito,
Cerro os olhos: é bastante
Que mais quero?
Ricardo Reis *in odes*
domingo, 7 de outubro de 2012
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
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