sexta-feira, 16 de abril de 2010

O POÇO

Aqui eu te amo.
Nos escuros pinheiros se desenlaça o vento.
Fosforece a lua sobre as aguas errantes.
Andam dias iguais a perseguir-me.
Descinge-se a nevoa em dançantes figuras.
Uma gaivota de prata se desprende do ocaso.
Às vezes uma vela, altas altas, estrelas.
Ou a cruz negra de um barco
Só.
Às vezes amanheço e minha alma está humida.
Soa, ressoa o mar distante.
Isto é um porto.
Aqui eu te amo.
Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte.
Estou a amar-te ainda entre estas frias coisas.
Às vezes vão meus beijos nesses barcos solenes,
que correm pelo mar rumo a onde não chegam.
Já me creio esquecido como estas velhas âncoras.
São mais tristes os portos ao atracar da tarde.
Cansa-se minha vida inutilmente faminta...
Eu amo o que não tenho. E tu estás tão distante.
Meu tédio mede forças com os lentos crepusculos.
Mas a noite enche e começa a cantar-me.
A lua faz girar sua arruela de sonho.
Olham-me com teus olhos as estrelas maiores .
E como eu te amo, os pinheiros no vento
Querem cantar o teu nome, com as suas folhas de cobre.

Neruda.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

LOUCURA

Este é o tempo
que não passa!!!


(Ou passa depressa demais ?)

Uma coisa sei;
Ontem fui branca, hoje sou preta.

(Ou serei de todas as cores?)

Sinto-me Outubro, Novembro ou Dezembro,
mas o que sou mesmo é todo o ano esperando Janeiro!

Não tenho já mais unhas para roer
Nem mais cigarros para fumar,
mas e daí? Qual é o mal?

Tenho a certeza que a espera é pouca,
mais um passinho e ficarei louca!!!!

Teresa.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

ESPERANDO

Recuei no tempo e contei-o...

Guardei meus dias e noites
Num campo regado com saudades
e dormi nas suas sombras.

Mais tarde subi às arvores entardecidas de esperas,
Semei versos silvestre num vaso
e no quintal plantei um pé de palavras.



Cansada sentei-me à porta
e desenhei o nome do Universo.
Abrilhantei a lua, sacudi as estrelas
arrumei todo o céu à minha volta.

Por fim debrucei meu coração à janela,
durante tanto tempo que acabou marcado
pela dor da espera!

teresa

sábado, 10 de abril de 2010

DESPEDIDA

Entre mi amor y yo han de levantarse
Trescientas noches como trescientas paredes
y el mar será una magia entre nosotros.

No habrá sino recuerdos
Oh tardes merecidas por la pena,
noches esperanzadas de mirarte,
campos de mi camino, firmamento
que estoy viendo y perdiendo...
Definitiva como un mármol
entristecerá tu ausencia otras tardes


Jorge Luis Borges -1923

sexta-feira, 9 de abril de 2010

SILÊNCIOS

No começo da musica
cresce a nota!
Vibra exalta atormenta,
morre e pouco a pouco emudece...

Ouve-se ao fundo o silêncio,
agudo como espada...

Até que a musica recomeça,
volta e cresce e nos suspende...
Enquanto sobe
vão caindo recordações e esperanças vãs.

Gritamos, mas na garganta
o grito morre,
porque caímos no silêncio

Emudecemos.....


teresa.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

ESTE INFINITO AMOR

Este infinito amor que um ano faz
Que é maior do que o tempo e do que tudo
Este amor que é real, e que contudo,
eu já não cria que existisse mais.

Este amor que surgiu insuspeitado
e que dentro do drama fez-se em paz
este amor que é o túmulo onde jaz
Meu corpo para sempre sepultado.

Este amor meu é como um rio; um rio
Noturno, interminável e tardio
a delizar macio pelo ermo

E que em seu curso sideral me leva
Iluminado de paixão na treva
Para o espaço sem fim de um mar sem termo...

Vinícios de Moraes

terça-feira, 30 de março de 2010

Y Uno Aprende

Después de un tiempo
uno aprende la sutil diferencia
entre sostener una mano
y encadenar un alma,
y uno aprende
que el amor no significa acostarse
y una compañia no significa seguridad
y uno empieza a aprender...
Que los besos no son contratos
y los regalos no son promessas
y uno empieza a aceptar sus derrotas
con la cabeza alta e los ojos abiertos
Y uno aprende a construir
todos los camiños en el hoy,
porque el terreno del mañana
es demasiado inseguro para planes...
y los futuros tienen una forma de caerse
en la mitad.
Y después de un tiempo
uno aprende que si es demasiado,
hasta el calorcito del sol quema.
Así que uno planta su proprio jardim
y decora su propria alma,
en lugar de esperar a que alguien le traiga flores.
y uno aprende que realmente puede aguantar,
que uno realmente es fuerte,
que uno realmente vale,
y uno aprende y aprende
y con cada dia uno aprende

Jorge Luis Borges.