Como um sol de polpa escura
para levar à boca,
eis as mãos:
procuram-te desde o chão,
entre os veios do sono
e da memória procuram-te:
à vertigem do ar
abrem as portas:
Vai entrar o vento ou o violento
aroma de uma candeia,
e subitamente a ferida
recomeça a sangrar:
é tempo de colher: a noite
iluminou-se bago a bago: vai surgir
para beber de um trago
como um grito contra o muro
Sou eu -a terra- que te procuro.
Eugénio de Andrade.
domingo, 17 de julho de 2011
terça-feira, 12 de julho de 2011
segunda-feira, 11 de julho de 2011
.../...
Pousa um momento,
Um só momento em mim
Não só o olhar, também o pensamento.
Que a vida tenha fim nesse momento!
No olhar a alma tambem
Olhando-me, e eu a vêr
Tudo quanto de ti o teu olhar tem.
A vêr até esquecer
Que tu és tu tambem.
Só tua alma sem tu
Só o teu pensamento
E eu onde, alma sem eu, tudo o que sou.
Ficou o momento
E o momento parou.
Fernando Pessoa.
Um só momento em mim
Não só o olhar, também o pensamento.
Que a vida tenha fim nesse momento!
No olhar a alma tambem
Olhando-me, e eu a vêr
Tudo quanto de ti o teu olhar tem.
A vêr até esquecer
Que tu és tu tambem.
Só tua alma sem tu
Só o teu pensamento
E eu onde, alma sem eu, tudo o que sou.
Ficou o momento
E o momento parou.
Fernando Pessoa.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
domingo, 3 de julho de 2011
sábado, 2 de julho de 2011
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