sábado, 16 de agosto de 2014

Nocturnamente


Noturnamente te construo
para que sejas palavra do meu corpo

Peito que em mim respira
olhar em que me despojo
na rouquidão da tua carne
me inicio
me anuncio
e me denuncio

Sabes agora para o que venho
e por isso me desconheces

(Mia Couto)

sábado, 26 de julho de 2014

Les Limites du Malheur

 
 
Mês yeux soudain horriblement
Ne voient pas plus loin que moi
Je fais des gestes dans le vide
Je suis comme un aveugle-né
De son unique nuit témoin
 
La vie soudain horriblement
N'est plus à la mesure du temps
Mon désert contredit l'espace
Désert pourri désert livide
De ma morte que j'envie
 
J'ai dans mon corps vivant les ruines de l'amour
Ma morte dans sa robe au col taché de sang.
 
Paul Éluard (Le Temps Déborde)


quinta-feira, 24 de julho de 2014

Saudade

 
 
Magoa-me a saudade
do sobressalto dos corpos
ferindo-se de ternura.
Doi-me a lembrança
do vestido
caindo aos nossos pés.
 
Magoa-me a saudade
do tempo em que te habitava
como o sal ocupa o mar
como a luz recolhendo-se
nas pupilas desatentas
 
Seja eu de novo a tua sombra, teu desejo
tua noite sem remédio
tua virtude, tua carência
Eu
que longe de ti sou fraca
Eu
que já fui àgua, seiva vegetal
sou agora gota trémula, raiz
 
Tráz
de novo, o meu amor,
a transparência da àgua
dá ocupação `minha ternura vadia
mergulha os teus dedos
no feitiço do meu peito
e espanta na gruta funda de mim
os animais que atormentam o meu sono.
 
(Mia Couto)


quarta-feira, 2 de julho de 2014

sem titulo

 
 
 
Voltei de novo ao Blog.!!!!
 
A partir de hoje vou
 
reactivar este Blog.

sábado, 14 de setembro de 2013

Soneto de Um Amor Maior

T.J.
 
Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá  risada
 
E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração. e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal aventurada
 
Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer - e vive a esmo
 
Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo
 
 
Vinicios de Morais

domingo, 25 de agosto de 2013

sexta-feira, 2 de agosto de 2013